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Mel ganha reforço internacional

Data: 15/12/2022 - por Diário do Comércio

Produtores de mel de aroeira vão receber apoio técnico e financeiro para melhoria da cadeia

No Norte de Minas, apicultores também utilizam técnicas de manejo que são fatores diferenciais | Crédito: Divulgação/Codevasf

Uma ótima notícia está sendo comemorada por produtores de mel de Minas Gerais. O mel de aroeira produzido no Norte de Minas foi selecionado para receber apoio técnico e financeiro do Committee on Development and Intellectual Property (CDIP), comitê vinculado à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), com sede em Genebra, na Suíça. A escolha foi realizada após um processo seletivo com denominações de origem brasileiras com potencial de desenvolvimento e permitirá o fomento de novos negócios e visibilidade para o produto mineiro no mercado internacional. O apoio foi do Sebrae Minas.

Reconhecido pela sua alta densidade e pela cor escura, o mel do Norte de Minas apresenta compostos fenólicos com ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana, que fortalece o sistema imunológico do corpo humano. O produto se torna diferenciado por dificilmente se cristalizar, além de possuir propriedades fitoterápicas no combate à gastrite.

Atualmente, a apicultura é fonte de renda e emprego para cerca de 1,2 mil famílias em 64 municípios do Norte do Estado, totalizando mais de cinco mil pessoas envolvidas diretamente na atividade. Com 39 mil colmeias, a região tem potencial de produção de mais de 1 mil toneladas de mel por ano, sendo 650 da espécie silvestre e 400 da aroeira.

O presidente da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), Luciano Fernandes, reconhece a conquista da região. “Existe a crença de que o Norte de Minas é muito pobre, mas a realidade não é assim. O mel de abelha demonstrou para nós que é o ‘ouro negro’. Acreditamos que a gestão da IG (Identificação Geográfica) do mel de aroeira será melhorada, e a produção vai ser ampliada para outras floradas como abacate, pequi, copaíba, betônica e também café”, afirma Fernandes.

Apoio

O Sebrae Minas viabilizou o processo de inscrição do mel de aroeira no concurso, incluindo questionários e demais documentos das denominações de origem para a análise feita pela OMPI. “Esse reconhecimento é importante, pois mostra a efetividade do trabalho do Sebrae, que atuou como interlocutor e apoiou no processo de seleção. Além disso, a instituição contribuiu nos critérios estabelecidos para que esse grupo fosse aprovado no processo de seleção. Queremos que o Norte de Minas ganhe notoriedade no cenário internacional”, destaca o analista do Sebrae Minas Walmath Magalhães.

Os apicultores do Norte de Minas participaram de capacitações que ajudaram a obter, em fevereiro deste ano, o registro da Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem (DO). O selo reforça a qualidade do produto e traz reconhecimento pelo mercado e pelos consumidores.

Desde 2015, o Sebrae Minas apoia os produtores locais em consultorias para melhoria constante da qualidade do produto, além de incentivar as famílias a participarem de feiras que colaboram para aumentar as vendas. A partir do ano que vem, a instituição vai trabalhar no estímulo à rastreabilidade do mel, com o intuito de facilitar a identificação , pelos consumidores, sobre a procedência das floradas.

O que é Ompi

Fundada em 1967, a OMPI é uma entidade integrante do Sistema das Nações Unidas que estimula os países com menos recursos a manter a defesa da propriedade intelectual (marcas, patentes e registros geográficos) com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico, social e cultural, além da busca pela inovação e criatividade. A instituição é formada por 192 estados-membros que dialogam para atuar no fortalecimento da legislação e das instituições por meio da negociação de tratados e acordos multilaterais.

Produto tem vários diferenciais

O mel de aroeira recebe este nome porque as abelhas retiram os recursos da planta Myracrodruon urundeuva, um tipo de aroeira, vegetação predominante em regiões de mata seca, caracterizadas pelo clima árido e precipitação anual baixa, além de solos com baixa acidez e altas quantidades de cálcio. Mas, além disto, outro fator natural que contribui para as características deste mel é a associação de insetos psilídeos, conhecidos como pulgões, em suas folhas e flores.

As árvores abrigam esses insetos em todas as fases de seu ciclo de vida (ovo, ninfa e adulta). Eles sugam a seiva elaborada da planta e a digerem e maturam em seu organismo, excretando uma substância açucarada conhecida como melato ou honeydew. Os pulgões, ao sugar a seiva vegetal, também induzem a aroeira a produzir substâncias fenólicas para se proteger, que são excretadas pela planta em diversos de seus órgãos, entre os quais os nectários e as flores.

É assim, ao polinizar a aroeira-do-sertão, que as abelhas coletam um néctar misturado às secreções fenólicas produzidas próximo aos nectários, bem como a secreção excretada pelos pulgões. Desse modo, o mel produzido a partir da aroeira contém alta concentração de compostos fenólicos e presença de melato, diferentemente de méis produzidos a partir de outras espécies vegetais, nos quais está ausente essa última substância.

As técnicas de manejo utilizadas pelos apicultores mineiros também são fatores de diferenciação, já que asseguram a não contaminação das abelhas e do mel por possíveis fontes próximas ao apiário, como criações de animais confinados, resíduos e efluentes domésticos. Desse modo, as características e qualidades do mel do Norte de Minas, especialmente o alto teor de compostos fenólicos e a coloração âmbar escuro, se destacam.