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Jardim de Mel traz retorno aos agricultores

Data: 25/02/2022 - por Embrapa Amazônia Oriental

Na Amazônia, o pasto para as abelhas nativas é uma realidade.  Em algumas propriedades, agricultores cultivam plantas que servem de alimento para as meliponas e aumentam a produção de mel.

O cultivo de espécies que favorecem as abelhas melíponas beneficia o agricultor e o meio ambiente. O empreendedor Joaquim Alberto da Silva aumentou a produção de mel ao criar pasto para abelhas sem ferrão num sítio de sua propriedade. Em 2015 implantou a permacultura e, um ano depois, começou a criação de abelhas nativas. A partir de 2019, em parceria com o projeto Agrobio, implantou o jardim de mel em Iranduba, a 20 km de Manaus. Dois anos depois, o pomar ganhou mais frutos e a produção de mel aumentou. “A proposta é mostrar que para criar abelha precisa ter pasto e, segundo, desmistificar a ideia de que são espécies difíceis de cultivar”, diz Silva.

Para o jardim, o agricultor retirou mudas de dentro da propriedade, da estrada próxima e dos arredores da comunidade. “As espécies sem ferrão da Amazônia visitam muitas plantas rasteiras, mas também visitam arbustos e arbóreas, portanto há várias opções para compor o plantio”, acrescenta. 

No sítio, além dos 17 canteiros, foram plantadas espécies frutíferas como açaizeiro, laranjeira, camu-camu, araçá-boi, guaraná e outras. Com o tempo, Silva observou que a produção de mel aumentou entre 25% a 30% e a produção das frutíferas cresceu significativamente. Segundo o meliponicultor, com a presença das abelhas nativas, as frutíferas do sítio passaram a produzir em maior quantidade e frutos maiores, mais precoces e mais doces comparados a outras frutíferas que não são polinizadas por abelhas.

Mel e conhecimento

A meliponicultura permite diversos modelos de empreendimentos. No sítio de Silva, existe produção de mel, comercialização de colônias e atividades educativas com meliponários das espécies de abelhas uruçu boca-de-renda (Melipona seminigra), jupará (Melipona interrupta), moça-branca (Frieseomelitta sp.) e uruçu boca-de-ralo (Melipona rufiventris). Ele também criou o Doce Refúgio Amazônico Meliponário Escola (Dramel) e, em parceria com outras instituições, passou a oferecer cursos para interessados em criar abelhas sem ferrão. 

Livre de agrotóxicos

Para se ver livre dos agrotóxicos, Silva convenceu os vizinhos a evitarem o uso de defensivos agrícolas alegando que a produção de frutos aumentaria com a polinização e que haveria redução de custos com o fim do uso de agrotóxicos. A adesão resultou no interesse da comunidade em aprender a criar as abelhas nativas. “Nós procuramos disseminar a ideia de que todo criador de abelhas é um ecologista por excelência, mesmo que não seja por formação, ele é por conscientização”. 

Para o meliponicultor, o maior benefício do ponto de vista social e da preservação, é a polinização agrícola e a polinização da floresta como um todo. “A ideia de saber que as pessoas que criam abelhas nativas estão contribuindo com o bioma amazônico”, afirma.