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Empresa desenvolve espumante com base no mel de abelhas nativas brasileiras

Data: 27/10/2022 - por Agência Fapesp

Projeto também tem o objetivo de estimular a conservação da fauna nacional, além de valorizar a cultura e o trabalho de comunidades locais. Foto: Mirá

Uma empresa paulista está desenvolvendo uma nova bebida espumante de alta qualidade com base no mel de abelhas nativas brasileiras sem ferrão. Além de introduzir no mercado um produto único com alto valor agregado, o projeto tem o objetivo de estimular a conservação da fauna nacional e valorizar a cultura e o trabalho de comunidades produtoras locais.

O projeto é da Mirá, uma startup sediada em São Carlos, no interior paulista. A primeira fase das pesquisas já foi concluída, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP e o projeto agora entra em sua segunda fase, de desenvolvimento do produto final.

De acordo com a bióloga Juliana Massimino Feres, pesquisadora responsável pelo projeto, existem mais de 350 espécies de abelhas brasileiras sem ferrão, cujo mel tem propriedades de aroma e sabor muito especiais.

Em parceria com seu sócio na Mirá, o também biólogo Tulio Marcos Nunes, a pesquisadora começou então a estudar as alternativas para o processo fermentativo do mel de abelhas nativas, dando o pontapé inicial para o desenvolvimento da nova bebida.

Segundo ela, já existem no mercado algumas bebidas feitas a partir do mel de abelha comum, a Apis mellifera. Porém, as características do mel de abelhas sem ferrão eram de fato muito especiais e o sucesso da bebida foi grande já nos primeiros testes. O primeiro passo, após verificar se era viável fermentar o mel de abelhas nativas sem ferrão, era avaliar se o processo resultaria em uma bebida que fosse agradável e palatável.

Também foram avaliadas quimicamente as substâncias voláteis presentes no mel, a fim de caracterizar quais delas tinham potencial para a obtenção de aromas e sabores de interesse. “Grande parte dessas moléculas era comum às do vinho branco, dando à bebida um aroma de abacaxi e flores, por exemplo”, diz Nunes.

Foram escolhidas as abelhas mandaguari (Scaptotrigona postica), a jataí (Tetragonisca angustula) e a mandaçaia (Melipona quadrifasciata). Os testes com o público, então, foram intensificados.

“A fermentação do mel gera off-flavours, que são substâncias não palatáveis e a correção precisa ser minuciosa. Estamos desenvolvendo alternativas naturais, pois não faria sentido passar por todo o processo de produção de uma bebida inteiramente natural e ter no fim um produto com correções químicas” diz Feres.

Outro desafio envolve a padronização do produto, já que o mel não é uma matéria-prima uniforme, ao contrário, varia de acordo com a região onde foi colhido, o bioma em que a abelha está inserida e a estação do ano em que foi produzido. Mas os pesquisadores acreditam que poderão tirar vantagem dessa característica.

Em termos de mercado, a Mirá pretende dissociar o conceito de seus espumantes do hidromel – uma bebida fermentada que também tem base no mel. Segundo os pesquisadores, quase toda a produção brasileira de hidromel é feita com o mel da Apis mellifera. “As poucas pessoas que conhecem o hidromel dificilmente tiveram boas experiências, por isso precisamos desvincular do nosso produto, que é totalmente diferente”, compara Feres.