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ABELHAS PODEM AUMENTAR PRODUTIVIDADE DA SOJA EM ATÉ 13%

Data: 24/10/2022 - por Compre Rural - Portal de Conteúdo Rural

Foto: Mercedes Carrão_Panizzi

Ocupando cerca de 40 milhões de hectares (Safra 21/22), a soja é de suma importância para o país e, segundo as pesquisas, as abelhas podem aumentar produtividade em até 13%.

A soja está presente em praticamente todas as regiões brasileiras e ocupa, aproximadamente, 40 milhões de hectares, na safra 2021/2022. Dessa forma, em alguns casos, as áreas cultivadas com soja estão próximas de apiários fixos tradicionais, ou mesmo dos locais de colocação de colmeias em apiários migratórios. Se, por um lado, a florada da soja pode ser usada como pasto apícola, por outro, a polinização incrementa a produção de soja em cerca de 13%.

Apesar do desafio da convivência harmônica, há vantagens para ambas as atividades. Segundo Gazzoni, de um lado, a florada da soja pode ser usada como pasto apícola, pelos criadores de abelhas, especialmente de Apis mellifera (a abelha africanizada), em períodos de pouca disponibilidade de alimento.

“Além disso, podemos afirmar que, sob condições adequadas de visitação, a produtividade de soja pode ser incrementada em cerca de 13% pelo processo de polinização propiciado pela visitação das abelhas na soja”, diz Gazzoni.

Para investigar o efeito da polinização por abelhas na produtividade de soja, três experimentos foram instalados no campo experimental da Embrapa Soja, em Londrina (PR), nas safras de soja de 2017/2018 a 2019/2020.

Na metodologia foram utilizados três tratamentos: o primeiro possibilitava o livre acesso de abelhas na cultura da soja, o segundo consistiu na introdução de uma colmeia de Apis mellifera no interior de uma parcela de soja engaiolada e o terceiro tratamento mantinha uma parcela de soja engaiolada sem o acesso de abelhas ou qualquer outro polinizador. De acordo com Gazzoni, a visitação de abelhas na floração da soja foi monitorada, durante todo o período de florescimento, com contagens de abelhas às 9 horas, às 10 horas e às 11 horas. “Pudemos observar que o maior número de abelhas foi observado às 11 horas, o que é um indicativo importante para se planejar as pulverizações de agroquímicos na soja”, explica. “Nos três anos do estudo, o incremento médio da produtividade da soja, nas parcelas engaioladas com uma colônia de abelhas, foi de 639 quilos por hectare (kg/ha), isto é,  12,97% , sendo de 274 kg/ha (5,58%) nas parcelas abertas, sem gaiolas, quando comparadas com as parcelas engaioladas, que não permitiam o acesso de polinizadores”, relata.

lavoura de soja – Foto: Mercedes Carrão_Panizzi

A Embrapa e a Basf assinaram acordo de cooperação técnica e financeira para validar um modelo tecnológico, a partir da safra 2022/2023, pautado em boas práticas agrícolas e apícolas.

O intuito do projeto, que tem duração de três anos (2022-2025), é impulsionar a convivência harmônica entre sojicultores e apicultores, a partir de ações conjuntas em três regiões brasileiras importantes para a produção de soja no Brasil: Paraná (Maringá), Mato Grosso do Sul (Dourados) e Rio Grande do Sul (São Gabriel). A partir da validação de um protocolo de boas práticas agrícolas, as instituições pretendem comprovar que o desenvolvimento das atividades em espaços integrados pode ser benéfico para os dois setores.

Boas práticas para soja

No caso do sojicultor, Gazzoni enfatiza a necessidade de respeitar e adotar as recomendações agronômicas para o cultivo da soja, em todas as fases da cultura. O pesquisador reforça a importância da correta aplicação de pesticidas, observando todos os cuidados necessários para conservação das colônias de abelhas criadas e, também, de espécies nativas.

“O agricultor deve respeitar, integralmente, as recomendações do Manejo Integrado de Pragas da Soja e conferir atenção especial para as melhores práticas de tecnologia de aplicação.”, orienta.

Manejo dos apiários

Um dos primeiros passos indicados aos apicultores para garantir a produção em quantidade e qualidade adequadas de mel é a manutenção de abelhas saudáveis e colônias com grande quantidade de indivíduos, afirma Gazzoni. Nesse sentido, o pesquisador considera recomendável, ainda, a substituição periódica da rainha, o manejo de favos, o respeito ao calendário floral, a limpeza do entorno e a suplementação alimentar, se necessário.

“Recomenda-se que o apicultor faça revisões quinzenais em suas colônias, para acompanhar o desenvolvimento delas e realizar os manejos necessários”, diz.

Outra orientação é manter distância mínima de 500 metros de áreas com trânsito de pessoas e animais, a fim de evitar acidentes. “Os apiários também devem estar a uma distância mínima de 50 metros de áreas de lavoura, para evitar perda de colônias devido à deriva de produtos fitossanitários”, observa.

Experimentos realizado com abelhas no interior de uma parcela de soja engaiolada confirma crescimento do rendimento de soja – Foto: A. Neto

“De preferência, deve-se utilizar barreiras naturais ao redor do apiário, tais como capim Napier, arbustos altos como astrapeias, cercas vivas, entre outras”, complementa.

Quanto ao posicionamento das colônias, Gazzoni explica que, para a produção de mel, recomenda-se o uso de três colônias por hectare estimado de pasto apícola, uma vez que as abelhas forrageiras buscam alimento em um raio de, no máximo, 2,5 km de distância. “Se houver competição entre as abelhas para produção de mel, a produtividade poderá ser prejudicada. Da mesma forma, deve-se evitar a sobreposição de apiários. A distância ideal de um apiário para outro é de 5 km.